Sou ninguém. Não por ausência, mas por preferência. A invisibilidade oferece certas liberdades que a notoriedade, em sua vulgaridade, jamais compreenderia. Cultivo pequenas zonas de autonomia, longe dos holofotes e das solenidades. Há ambições que prosperam melhor na clandestinidade; algumas, com o tempo, adquirem o lastro necessário para dispensar a modéstia.

Este espaço é uma insurreição íntima, uma zona temporariamente autônoma onde cuspo meus cataclismos e murmuro blasfêmias. O restante se articula em silêncio.